Atenção: Electrocardiograma do Apple Watch 4 tem de ser explicado

No passado dia 12 a Apple revelou ao mundo tecnológico os seus três novos smartphones (Xs, Xs Max e Xr) que, não mudando muito a linha do iPhone X, trazem o novo processador A12 Bionic e melhorias nas câmaras fotográficas.

Mas o primeiro equipamento apresentado foi a Series 4 do Apple Watch que tem um design refinado, margens menores, ecrã maior mas volume total inferior e duas novas características: giroscópio com acelerómetro que permite detectar quedas e eléctrodos para medir a atividade elétrica cardíaca definida por ECG pela Apple.

Se a tecnologia da detecção de quedas, que prevê a realização de chamadas ou alertas para contactos de segurança em caso de ausência de resposta por parte do utilizador após uma queda parece consensual e isenta de grandes problemas, a tecnologia de “ECG” insere-se no campo da saúde de uma forma como poucas ou nenhumas tecnologias acessíveis ao consumidor final o tinham feito até hoje. 

Em relação a esta característica do Apple Watch é importante esclarecer certos pontos

A certificação da FDA chama à atenção de que este equipamento tem clearance para ser usado em conjunto com a prática médica mas não tem aprovação para ser considerado na prática um dispositivo médico (têm aprovação Classe I e II “apenas”) e na apresentação as coisas não foram explicadas assim pela equipa de Tim Cook.

Também poderá interessar  Samsung regista booster de GPU

Por outro lado o valor da medição só é válido para maiores de 22 anos (pelas características do próprio ritmo cardíaco em idades inferiores) e deve ser usado em pessoas saudáveis sendo que quem já tem diagnóstico de Fibrilhação Auricular ou outro tipo de arritmias não terá vantagens na sua utilização.

Ainda assim este é um passo importante, sem dúvida, mesmo não sendo o primeiro wearable com elétrodos para medir atividade elétrica cardíaca (vulgo ECG mas que é bem diferente do ECG de 12 derivações que fazemos nos exames Médicos).

Esquema de eléctrodos num ECG convencional

É importante por trazer mais algum rigor e, conhecendo a Apple, abrir portas para novos equipamentos aplicados à saúde.

Mas há uma questão super importante que foi ainda levantada na Live da Worten, que foi a questão dos falsos negativos e depois disso li a documentação da FDA e um dos principais problemas focados são os Falsos Negativos (falsa sensação de que tudo está bem) e que se deve alertar bem o consumidor para as medidas de mitigação que passam pela observação médica e um electrocardiograma “em condições” que na verdade custa cêntimos.

Num evento que foi desnecessariamente apressado a Apple devia ter guardado 5 minutos da apresentação para explicar isto devidamente. Não estamos a falar de capacidades de uma câmara ou de processadores ou de Fortnite num smartphone…

Relatórios da FDA aqui: 1, 2

Também poderá interessar  Novos iPhone com problemas no WiFi e LTE

Estamos a falar de saúde, algo imensurável, e o relatório da FDA é explícito e a Apple foi algo evasiva nas limitações acima descritas e na frase que aqui cito: “The ECG data displayed by the ECG app is intended for informational use only. The user is not intended to interpret or take clinical action based on the device output without consultation of a qualified healthcare professional”.

As marcas lutam e desafiam-se por inovarem cada vez mais e a Apple é uma das que vai na frente em muitas tecnologias e ecossistema mas neste caso deu demasiada importância ao produto em si e ao pioneirismo mas esqueceu se de que o erro, a má interpretação e má utilização desta característica do Apple Watch não será tão inerte e inócuo quanto uma fotografia desfocada ou má jogabilidade de um jogo mobile.

Esta apresentação não devia ter sido feita para as palmas mas sim para aproveitar para educar os consumidores a utilizar o potencial da tecnologia que nos trouxeram.

Assiste ao direto da Worten sobre o Apple Keynote 2018

aparicio

Editor in Chief, Journalist and Camera guy

Deixa-nos a tua opinião